30 janeiro, 2014

Da misericórdia

Estive pensando um pouco nas nossas misérias. De repente, já meus pensamentos estavam na misericórdia. 
É tão curioso perceber que são duas coisas tão diferentes e, ao mesmo tempo, tão complementares. Como nós e Deus.
Um abismo e outro (Sl 41). 
Quando nos percebemos afogados em misérias, há sim a dor e a tristeza e sim, sempre haverão. Mas é um pequeno caminho que nos leva até a nossa essência de 'dependentes de Deus'!
E como é bom encontrarmos nossa essência nas imperfeições, desta forma, sendo sempre imperfeitos, não perderemos de vista jamais O Perfeito que é Jesus. Desta forma caminharemos sempre com alegria rumo ao altar de Jesus onde, sem reservas, devemos entregar nossas intermináveis falhas. Como chagas. Como cristãos, como imitadores de Jesus. Ofereçamos as nossas feridas pelas almas, pela Igreja, pelos sacerdotes, pelos pecadores, por nós! 
Nós somos de Deus! E Ele é nosso! O que mais desejaríamos se, ainda imperfeitos, somos propriedade do Céu? O que mais deve nos trazer alegria perfeita senão sermos filhos de Deus?!

Observemos que, quanto mais rios se deságuam, maior é o mar! Quanto mais abandonarmos nossas misérias no mar da misericórdia de Deus, maior ele será!
Ele nos deseja! Se O desejamos, entreguemo-nos a Ele como somos! Do mais... Ele cuidará.

'Que a vossa alma encontre alegria na misericórdia do Senhor.' (Eclo 51, 29)

14 janeiro, 2014

Do mar do mundo

     É um excessivo falar de amor e um escasso amar. É um excessivo falar de paz e um escasso suportar. É demasiado julgar e muito pouco curar.  É pessoas demais tentando ensinar e quase ninguém tentando praticar. É um jogo hipócrita de saber teorias enquanto a vida é prática. Um exagerado querer se sobressair só pra, no fundo no fundo, não se afogar outra vez. É um orgulhoso não-querer confessar que não sabe nadar nesse mar agitado do cotidiano da gente. E, enquanto isso, quem pede ajuda tem companhia, tem outro coração, outra alma, tem mais pra dividir. Tem 'outro umbigo' pra olhar. Enquanto isso quem busca aprender, silenciosamente avança. Quem suporta, silenciosamente conquista. Quem cala, prontamente ama.


20 dezembro, 2013

Do vazio

     E, então, percebo que há algo errado em mim. Ando muito e não caminho nada. Falo muito e não digo nada. Ouço muito e não escuto nada. Vejo muito e não enxergo nada. 
     Me deu vontade da noite, do frio, da solidão, da contra-mão. Deu vontade das poucas palavras, de tudo de dentro, do nada de mim. E foi assim [...] era um vazio danado, teimoso, por nada arreda o pé. De insistente me deixou triste, até. Olha pra ver! Até que eu ouvi como o pulsar de um outro coração que não o meu. E era o Teu, enchendo minha alma de vida. 
     Permaneço no frio, na noite, na solidão, na contra-mão. Com poucas palavras, com tudo de dentro, com nada em mim. Mas agora é eu e Você. É tudo de Ti. É nada de mim. 

16 dezembro, 2013

Dele

     Nos detalhes desse tempo, um tanto perdida, tantas vezes me encontrava por aí, com o pensamento longe de mim. Me pegava pensando em coisas maiores que eu. E, então, quando percebi já nem me pertencia mais. Já estava tomada de um sentimento de alegria que ardia em mim. Ansiosa por não mais me pertencer, fechava os olhos, na esperança de ir mais longe por alguns segundos.
     Das coisas que Ele me deu a perceber a mais preciosa delas foi o amor. Tão escondido que quase o não pude notar, se bem que o sentia por perto. Ele me mostrava onde se escondia e quando O encontrava meu peito ardia feito algo vivo dentro de mim que morria e, ao mesmo tempo, nunca vivia tanto. Sentia que minhas forças já não eram minhas; que a minha leveza era extrema e que o que me prendia a esta terra era minha carne que já não fazia tanta diferença nesses momentos. Mas a alma voava, feito um passarinho, pra perto do céu.
    Deu-me a perceber o quanto era doído desprender-me de minhas penas; de minhas penas. Deu-me a ver que sem elas já não mais voaria para onde queria, porém Ele me daria novas asas que me levariam a lugares por mim ainda não desbravados. Tirava-me das pequenas poças para fazer-me banhar em seus rios. Fez-me perceber que o que eu pensava ser Ele era, na verdade, uma ilusão. Que quando eu quisesse O encontrar outra vez não seria fora, mas em meu pequeno peito inquieto de saudade. Saudade de voar outra vez com Ele; de cantar cantos jamais ouvidos compostos por Sua infinita bondade. E, ao ensinar-me tanto, em mim queimava um desejo de ir mais alto e, ao mesmo tempo, ficar ali. E, oscilando entre o ir e vir, vi-me, então, voando. Vi-me então, quieta. Ambos dentro dEle. Ambos completamente fora de mim.